PÁGINAS INDEPENDENTES

8 de set de 2011

UMA CARA CONHECIDA NUM LUGAR DESCONHECIDO

                                                      BARONESA
A grande cachorra fora presente para a minha mãe. Meu único tio materno fora o doador do presente.
Eu tinha pouco mais de dois anos quando nos mudamos de uma pequena cidade em Mato Grosso, para uma grande fazenda em São Paulo.
A viagem fora cansativa e eu, ainda abalada por um recente e nefasto acontecimento familiar, estava assustada. Ao ver aquele lugar estranho e aquelas pessoas estranhas fiquei com medo... Agarrada às mãos dos meus pais, segui com eles pela plataforma da estação, até que um vagão do trem foi aberto e um homem empurrou uma grande caixa cheia de furinhos. Meu pai adiantou-se e abriu a caixa.  Eu tive uma maravilhosa surpresa:
_ Baronesa!!!!!!
E, deixando minha mãe amedrontada, corri e abracei a grande cachorra... e ela se tornou um referencial... “a salvadora da Pátria”, pois meus pais estavam justificadamente envoltos na névoa de dor, provocada pela morte intempestiva da minha irmãzinha/bebê...

Algum tempo depois, minha mãe recomendou que eu tivesse cuidado com a Baronesa, pois cachorrinhos/filhotes estavam crescendo na barriga dela.
Eu fiquei encantada, acompanhando de perto aquele “milagre natural”... um belo dia, havia uns 3 ou 4 cachorrinhos, mamando na minha “amigona”... minha mãe ordenou que eu não pegasse os pequenos, pois poderia ser mordida pela Baronesa e eles poderiam ficar doentes.
Mas...um dia não resisti e levei uma amiguinha (humana;-) para ver de perto aquela maravilha! Peguei um dos filhotinhos e a Baronesa segurou meu braço com a boca sem morder... emitia uns sons lamuriosos como um pedido de socorro. Minha mãe apareceu rapidamente e dirigiu-se a mim:
“_ Larga o cachorrinho!”.
Mamãe mandou e eu obedeci;-)
Ato contínuo, Baronesa soltou meu braço, todo babado.
Minha amiguinha (a menina) saiu correndo.?!...

Hoje acredito que aquela criatura estava no lugar certo e na hora certa.
Não conheci o meu tio que a educou, pois ele morreu precocemente, mas sou-lhe muito grata pelo presente...
A Baronesa, sendo como era, foi uma importante coadjuvante na formação do meu respeito pela Vida... e, pela Morte.
Convivi com ela durante toda a primeira década da minha vida. Baronesa viveu 14 anos e morreu com a mesma dignidade com que viveu.

8 comentários:

  1. Jan, adorei o nome Baronesa, ela devia ser uma graça pelo que disse. Carinho não importa de onde venha, é sempre bom. :)
    bjokitas mil.

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  2. Os cães são bem mais dignos que os homens. Até pra ir embora, sem alarde, sem pedir grandes homenagens ou despedidas.Bjo.

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  3. Também tive uma "baronesa" na minha infância, só que era um cão perdigueiro que se chamava biriba.
    Tenho ótimas lembranças dele! :)

    Beijão pra você Jan.

    Que Nossa Senhora da Luz te abençoe.

    Cid@

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  4. os cães nos mostram tantas atitudes que deveríamos ter..
    baronesa..lindo nome

    bjs.Sol

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  5. Jan, esses nossos especiais amigos, os cães de nossas vidas, jamais se vão realmente pois, habitam um lugar cativo e saudoso em nossos corações.
    Que tempos maravilhosos vc e a Baronesa tiveram.
    Muitos bjinhos,
    Calu

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  6. MEIRE, FER, CIDA, SOL, CALU
    VOCÊS SÃO AS MINHAS "BARONESAS" VIRTUAIS;-)

    BJÃO PROCEIS

    JAN

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  7. Olá, Jan.
    Bonitas lembranças que ficam no coração.
    Também tenho tido muitas Baronesas e Barões ao longo da vida ;)
    bj amg

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    Respostas
    1. Olá, Carmem!
      Sinto-me privilegiada por ter sido contemplada com uma Baronesa (especial) no início e outra (também especial) no final da vida.

      Abração
      Jan

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